Exercícios físicos e insulina podem evitar Alzheimer, afirma pesquisador

Perda de memória está relacionada com alterações do organismo semelhantes a que ocorrem em pacientes com diabetes: o cientista Mychael Lourenço realizou palestra no evento Rio2C

Atividade física e aplicação de insulina, tratamento comum para diabetes, podem ser benéficos para o tratamento de pessoas com Alzheimer.

A conclusão é de Mychael Lourenço, professor do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que falou sobre seu estudo no Brain Space, espaço dedicado à apresentação de pesquisas científicas do Rio2C, evento sobre criatividade e inovação que está acontecendo na capital fluminense.

“Nós estamos em um momento de transição, e a tendência é que a quantidade de idosos aumente no futuro. A má notícia é que o número de doenças da idade vai aumentar, como alguns tipos de câncer e demência”, afirma.

Segundo o pesquisador, a incidência de Alzheimer vem crescendo na população brasileira mais velha.

“O Esquecimento é algo normal do envelhecimento, mas no Alzheimer é acelerado e leva ao declínio de funções do cérebro. O maior fator de risco é a idade. Ainda não há uma forma de diagnóstico efetiva, apenas tratamentos paliativos que funcionam por períodos curtos.”

Para buscar formas de tratamento, o Instituto de Bioquímica da UFRJ estudou eventos no cérebro que acontecem antes dos sintomas da doença aparecerem.

“Quando a pessoa entra no estado de demência, já é tarde para entender o que aconteceu”, diz Lourenço. Por isso, é preciso compreender o início da enfermidade.

Pesquisas anteriores já confirmaram que o cérebro de quem tem Alzheimer apresenta lesões (placas amilóides).

Sua presença serve como diagnóstico final da doença, mas a confirmação acontece apenas quando o paciente morre — visto que é quando o cérebro pode ser analisado. Essas placas, que se depositam no cérebro, são oligômeros. “Eles atrapalham a comunicação de neurônios e a nossa missão é evitar que isso aconteça”, comenta o pesquisador.

Em seu estudo, neurônios cultivados em laboratório apresentaram diminuição das sinapses (comunicação de neurônios), o que ocasionou a perda de memória.

Análises indicam que existe conexão entre a resistência à insulina em pacientes com diabetes tipo 2 e o Alzheimer. “Uma ideia interessante é usar tratamentos de diabetes para o Alzheimer”.

De acordo com Lourenço, a insulina preservou a comunicação dos neurônios em cultura. Isso indica que ela pode ajudar a memória.

Outros remédios usados para tratar diabetes, como o Exendin e o Liraglutida, apresentaram resultados positivos em testes com camundongos.

“Mas ainda tem um caminho a ser seguido antes das pessoas comprarem estes medicamentos para tratamento”, alerta Lourenço.

“Se a gente conseguir pelo menos diminuir o declínio cognitivo do paciente, ele terá mais qualidade de vida. Isso já traria benefício. O gol final seria ter a cura da doença, mas isso ainda vai demorar.”

Mas além dos testes com medicamentos, os pesquisadores estudaram quais alternativas poderiam diminuir as chances do desenvolvimento de Alzheimer.

A resposta está na irisina, hormônio que aumenta de nível no sangue após atividades físicas.

Segundo Lourenço, caminhar consegue retardar o declínio cognitivo dos pacientes e exercícios aeróbicos ajudam na memória.

Mas por quê a irisina? “Por algum motivo, o Alzheimer diminui a irisina do corpo”. Isso foi confirmado em testes com roedores que fizeram natação durante semanas.

“Precisamos de diferentes abordagens para testar o efeito da irisina”, diz Lourenço. “O exercício pode não ser tão eficiente na liberação de irisina para pacientes em estágio avançado, mas sim para os que apresentam riscos ou estão no estágio inicial.

Mas talvez seja uma abordagem interessante e barata de estabilizar o equilíbrio cognitivo, e que pode, de fato, prevenir o Alzheimer.”

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